contas inacabadas
é fácil perceber como uma coisa começa, é sempre pelo fim.
seja o fim nobre da procriação ou o sexo selvagem numa tarde de chuva, seja o dinheiro ou o lazer, a felicidade ou o sucesso e todas essas antíteses cujas soluções repousam nas prateleiras de auto-ajuda das livrarias.
essa história começou pelo começo:
-porque você me ama?
e se pudéssemos organizar frases ditas durante todo um relacionamento por seu impacto nele, essa que ela falou seria o começo do fim.
-não sei...por tudo que você é? - ele respondeu sem saber como aquilo seria o bater de asas do seu tufão pessoal.
-não...mas você me ama como a certeza do sexo diário? Como a pessoa que convive com todas suas fisiologias , olha pra sua cara da mesma maneira e ainda te prepara café da manhã nos fins-de-semana?
-é acho que é assim que eu te amo.
-então não é o mesmo amor que você teria com a futura mãe do teu filho? Ou com a velhinha que vai ficar do teu lado no seu leito de morte?
-acho que as duas coisas não são excludentes, são?
-Lógico que são! bem como seria uma terceira coisa, totalmente diferente, se voce me amasse por todos os motivos supracitados.
-então, teóricamente, eu teria que listar ,minunciosamente, todos os motivos pelos quais eu te amo para que o sentimento seja validado? Bom saber que seu amor por mim pode ser medido numa lista finita de coisas
e é importante perceber que, até ele falar essa última frase, aquilo tudo não passava de provocação de casal.
-não necessariamente, se você souber citar o ponto em que tudo isso converge.
- Então me diz, porque eu?
-porque é você que eu quero (queria) que enxugue o resto das minhas lágrimas.
-Então o amor, nada mais é, que uma frase feita pensada no momento que se decide senti-lo por alguém.
-Não, o amor é a inércia que te faz querer alcançar algo.
-no seu caso, suas lágrimas.
-não, no meu caso, saber que você esteve lá pra enxugá-las até eu morrer... Então, da mesma maneira que entrar num carro e dirigir sem destino, até sua gasolina acabar não é exatamente uma viagem...acho que o que você sente por mim não é exatamente amor.
-É...talvez não seja.
-acabou então?
-não pra mim, pra você?
-é...não.
E é assim que histórias cronologicamente corretas (não) terminam;
Mal.
/foi!
Meu ex-amigo senhor IzzyNobre
1 dia atrás